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GEO e Marketing: veja os principais insights do evento!

A mudança provocada pelas inteligências artificiais (IAs) generativas no comportamento de busca foi o tema do evento GEO e Marketing: como marcas são encontradas em IAs em 2026, realizado em 20 de agosto de 2026, na FIAP São Paulo. Promovido pelo Rank, a ocasião reuniu especialistas e líderes das áreas de CRM, Growth, Conteúdo, Inovação, Dados e Produto para discutir como ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity estão transformando a descoberta, a comparação e a decisão de compra.

Durante o momento, Leandro Scalise, CEO do Rank, apresentou o conceito Generative Engine Optimization (GEO) e defendeu que a estratégia deve ser prioridade para empresas que desejam preservar relevância digital

“Essa vai ser a maior mudança do Marketing Digital dos últimos 10 ou 20 anos. E a maioria das pessoas ainda não percebeu”, afirma Leandro.

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Da busca tradicional à recomendação feita por IA na era do GEO e Marketing

Um dos principais pontos abordados foi o impacto das IAs no tráfego dos sites. Se antes o consumidor pesquisava no Google, acessava páginas e encontrava informações ao longo da navegação, agora ele pode obter uma resposta completa diretamente em uma ferramenta de IA.

Isso não significa que as pessoas deixaram de pesquisar. Elas continuam buscando informações sobre produtos, serviços e marcas. A diferença é que parte relevante dessa jornada passou a ocorrer dentro das próprias plataformas de IA, reduzindo a necessidade de clicar em diferentes links para chegar a uma resposta.

Para as marcas, o desafio passa a ser outro: não basta ter um bom posicionamento no Google. Também é preciso entender se a empresa está presente quando uma IA responde perguntas como: 

  • “Qual é o melhor produto para mim?”
  • “Qual marca tem o melhor custo-benefício?” 
  • “Onde comprar por um preço melhor?”

Atualmente, em vez de pesquisar uma palavra-chave, analisar diversos links e montar a própria resposta, o usuário passa a fazer perguntas completas e receber uma recomendação consolidada por uma ferramenta de IA.

“As pessoas não pararam de buscar. Elas continuam perguntando qual é o melhor celular ou qual televisão comprar. Mas elas clicam menos, porque entendem mais dentro da inteligência artificial”, explicou Leandro.

Menos cliques, mais influência sobre a decisão

A consequência mais imediata dessa mudança é a redução de cliques para sites. Enquanto a busca tradicional costuma levar o usuário a visitar diferentes páginas para encontrar uma resposta, a IA concentra informações e recomendações dentro da própria interface.

Isso altera a forma de mensurar a presença digital. A marca pode não receber o clique imediatamente, mas ainda assim influenciar — ou perder — a decisão do consumidor se aparecer ou não na resposta oferecida pela IA.

No evento, também foi destacado que o desafio passa a ser considerar a presença nas plataformas generativas como parte da estratégia de marca, performance e conversão.

IA impacta descoberta, consideração, conversão e retenção

A Inteligência Artificial já influencia mais do que o topo do funil de Marketing. Ao responder perguntas, comparar alternativas e recomendar opções, essas ferramentas participam de praticamente toda a jornada de compra — da primeira descoberta à decisão de manter ou trocar uma marca.

No caso da compra de um smartphone, essa influência pode acontecer em diferentes momentos:

  • Descoberta: a pessoa ainda está explorando opções e pergunta: “Quais são os melhores celulares para comprar em 2026?”
  • Consideração: depois de identificar algumas alternativas, passa a comparar modelos e marcas: “Qual é o melhor entre Xiaomi, iPhone e Samsung?”
  • Intenção: a busca se torna mais específica, com base em atributos que podem definir a escolha: “Qual modelo tem a melhor câmera?”
  • Conversão: com a decisão mais madura, a pergunta passa a envolver preço e canal de compra: “Onde comprar um Samsung Galaxy pelo melhor preço?”
  • Retenção: mesmo após a compra, a IA pode entrar na jornada quando o consumidor avalia uma troca: “Vale a pena substituir o meu celular atual?”

Essa dinâmica mostra que a IA atua como uma ferramenta de descoberta, orientação, e comparações para encurtar o caminho até a conversão.

O novo funil não é apenas sobre ser encontrado em uma busca. É sobre estar presente nas perguntas que antecedem a descoberta, a comparação, a compra e até uma possível decisão de abandono.

GEO, SEO e AEO: o que muda na prática

Para organizar os conceitos, Leandro explicou a diferença entre três estratégias que costumam ser confundidas no mercado:

  • Search Engine Optimization (SEO): práticas voltadas à visibilidade em buscadores, especialmente no Google;
  • Answer Engine Optimization (AEO): otimização para aparecer em respostas geradas por mecanismos de busca com IA, como os recursos de IA do Google e do Bing;
  • Generative Engine Optimization (GEO): abordagem voltada à visibilidade da marca em diferentes plataformas de inteligência artificial generativa.

Segundo a explicação, o AEO pode ser compreendido como uma parte do GEO, já que o trabalho de otimização para mecanismos generativos abrange diferentes interfaces, ferramentas e ambientes de resposta.

“AEO é uma disciplina de GEO. Aqui, a gente está tratando de GEO para cobrir todas as inteligências artificiais”, resumiu Leandro.

A diferenciação é importante porque o GEO não se limita a buscar uma posição em uma página de resultados. O objetivo é construir presença em respostas que podem ser formadas por várias fontes, plataformas e critérios de recomendação.

A metodologia do GEO e Marketing: identificar, medir e agir

Na ocasião, também foi apresentada uma estrutura de trabalho em três etapas para ajudar marcas a desenvolver estratégias de GEO:

1. Identificar

O primeiro passo é mapear as perguntas que o público faz às inteligências artificiais. Nesse modelo, os prompts deixam de ser vistos apenas como palavras-chave e passam a representar intenções e momentos da jornada.

A marca precisa entender, por exemplo:

  • Quais perguntas os potenciais clientes fazem antes de conhecer uma solução;
  • Quais comparações realizam entre concorrentes;
  • Quais dúvidas surgem antes da decisão de compra;
  • Quais perguntas indicam risco de abandono ou troca;
  • Em quais plataformas essas perguntas são feitas.

“Os prompts representam jornadas, não palavras-chave”, destacou Leandro.

2. Medir

A segunda etapa consiste em acompanhar como a marca aparece nas respostas das diferentes IAs. Entre os indicadores citados estão:

  • Visibilidade;
  • Presença nas recomendações;
  • Posição da marca na resposta;
  • Share of voice;
  • Contexto em que a empresa é mencionada;
  • Concorrentes citados;
  • Fontes utilizadas pela IA para formar a recomendação.

“Não adianta tirar um print e achar que dominou as inteligências artificiais. É muito mais complexo do que isso.”, destaca Leandro.

3. Agir

A terceira etapa é transformar os diagnósticos em ações de conteúdo, reputação e autoridade.

GEO não significa manipular ferramentas de IA ou produzir informações falsas. O foco deve estar em identificar lacunas de conteúdo e criar materiais úteis, confiáveis e alinhados às perguntas reais dos consumidores.

“Estou falando de entender os gaps da sua marca e desenvolver conteúdo para abastecer a IA com informação relevante.”, ressalta o CEO.

A marca deixa de viver apenas no próprio site

Um dos pontos mais relevantes do evento foi a mudança de perspectiva sobre a presença digital. No SEO, o site próprio costuma ser o principal ativo para gerar tráfego e conquistar posições. No GEO, a marca passa a estar inserida em um ecossistema mais amplo de fontes.

Segundo Leandro, uma única resposta de IA pode considerar múltiplas referências antes de recomendar um produto, empresa ou serviço. Dentre os tipos de fonte mencionados estão:

  • Sites institucionais;
  • Portais de notícias;
  • Veículos especializados;
  • Sites de avaliação e reputação;
  • Fóruns e comunidades online;
  • Marketplaces;
  • Conteúdos editoriais;
  • Plataformas de busca.

“No GEO, a marca vive num ecossistema de fontes. Muitas vezes, uma resposta usa oito ou dez fontes diferentes para chegar a uma conclusão.”, afirma.

Isso amplia o papel de áreas como Conteúdo, SEO, PR, Brand, Social Media e Atendimento ao Cliente. A presença em IA não é construída apenas com uma página bem otimizada, mas também com reputação, dados consistentes e menções qualificadas em fontes relevantes.

Conteúdo e relações públicas como alavancas de GEO

Para aumentar a presença em fontes que influenciam respostas geradas por IA, as empresas precisam considerar ações de relações públicas, parcerias editoriais e produção de conteúdo em veículos relevantes para o setor.

A estratégia não deve ser pensada como propaganda direta, mas como construção de autoridade em ambientes que já são considerados relevantes nas respostas das plataformas.

“Você pode entender como essas fontes escrevem, desenvolver um conteúdo daquele tipo e trabalhar para que ele apareça nesses espaços.”

Um novo cenário para Marketing, Conteúdo e Reputação

O mercado ainda está em fase inicial de entendimento do GEO, o que pode favorecer marcas dispostas a estruturar desde a presença em mecanismos generativos. Para acompanhar essa transformação, é necessário mapear as perguntas feitas pelos consumidores em diferentes etapas da jornada, monitorar a presença da marca e identificar lacunas de conteúdo. A partir disso, as empresas podem desenvolver materiais mais úteis, consistentes e alinhados às dúvidas reais do público.

O evento GEO e Marketing deixou uma mensagem clara: o futuro da visibilidade digital pertence às marcas que entendem que estar presente não é apenas aparecer em uma página de busca, mas ser relevante nas respostas que ajudam consumidores a decidir.

A Inteligência Artificial muda a forma como as pessoas descobrem, comparam e escolhem produtos e serviços. Mas, para além da tecnologia, o desafio continua sendo o mesmo: compreender dúvidas reais, oferecer informações úteis e construir relações de confiança em cada ponto de contato.

O encontro termina, mas a discussão sobre GEO, conteúdo, reputação e presença nas IAs continua. Cada prompt analisado, cada lacuna de informação identificada e cada conteúdo criado pode aproximar as marcas das conversas que já estão moldando as decisões dos consumidores.

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